Textos que constam do livro "BARRA DO CORDA NA HISTÓRIA DO MARANHÃO",
professor GALENO EDGAR BRANDES
 

O autor adotou um sistema de agrupamento, em capítulos, dos temas abordados, numa espécie de rosário em que não falta uma conta. Lastima-se Galeno, com toda razão, do desfalque dos arquivos, da raridade de peças e documentos essenciais à obra, de registros imprescindíveis ao esclarecimento desta ou daquela situação.

No capítulo referente à formação religiosa, queixa-se da ausência de registros dos vigários da Barra do Corda até o final do século XIX. Galeno Brandes alinha estes frades: 1870, frei José Maria Loro; 1876, frei Antonino de Reschio e frei Carlos de São Martinho, 1894/1896. Ponho, aqui, um ponto de luz nas dificuldades do grande pesquisador, valendo-me de dom Felipe Conduru Pacheco, in História Eclesiástica do Maranhão (DCE, 1968). Diz o bispo-escritor, na página 410: "Em 1869, frei José Maria de Loro, capuchinho, foi transferido de Botucatu-SP, para Barra do Corda-MA, onde organizou a aldeia Dois Braços, de cujo trabalho indígena providenciou farinha para muitos famintos por ocasião da grande seca". Negociantes ambiciosos o caluniaram de açambarcar o comércio, pelo que teve de justificar-se junto ao governo da Província, mudando-se, após justificado plenamente, para o rio Grajaú, onde fundou a colônia de Rio Torto, em breve desaparecida com o falecimento de frei José de Loro, em 1884, vítima de paludismo.

Diz mais dom Felipe, que, após frei Loro, frei Antonino de Reschio evangelizou o sertão maranhense. Mas foi igualmente destratado por inimigos gratuitos, e, por isso, retornou a Roma, onde exerceu o cargo de Superior das Missões Estrangeiras. A ele cabe a honra da fundação da Missão Capuchinha no Maranhão (pág.411). Revela, ainda, dom Felipe: "Frei Loro fundou a Colônia Dois Braços, frei Reschio procura revivê-la. Frei Carlos de São Martinho, em 1895, se transfere para Alto Alegre, 14 léguas de Barra do Corda, assentando ali o centro da Missão, em razão de achar-se perto das aldeias dos Guajajaras e dos Gaviões (pág.471). E é, ainda, do bispo dom Conduru, que recolho esta informação (pág.387): "Quais eram as paróquias da Diocese entre 1876 e 1877?" Dom Felipe alinha todas elas. Barra do Corda (nº26) tem como seu vigário o padre Balduíno Pereira Maya. Desse modo, ao elenco de vigários da Barra do Corda, nos seus primórdios, descrito pelo ilustre autor, acresçam-se estas ponderações de dom Felipe: Frei José Maria Loro foi nomeado capelão militar da Colônia Dois Braços, em dezembro de 1877.

História de Barra do Corda